Portal de Eventos Científicos do PPGMUS-UFBA, 2º CONGRESSO BRASILEIRO DE ICONOGRAFIA MUSICAL

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Ecos do underground: iconografia, memória e identidade de uma cena rock no extremo Sul do Brasil

Daniel Ribeiro Medeiros, Isabel Porto Nogueira

Última alteração: 2018-07-29

Resumo


Este trabalho refere-se a uma parte do corpo teórico-metodológico que vem sendo construído em torno do estudo sobre a comunidade rock (JACQUES, 2009) da cidade de Pelotas (RS) na década de 1990. Essa comunidade ocupou parte do espaço urbano da cidade como forma de manutenção de sua própria existência enquanto grupo social. A organização de festivais, por exemplo, contribuiu para a constituição de uma memória coletiva (HALBWACHS, 1990). Enquanto lugares de memória (NORA, 1993; FLÉCHET, 2011; CANDAU, 2005), contribuíram para o reforço do sentimento de identidade organizado principalmente em torno do rock na medida em que são aqui considerados como cenários onde uma série de sóciotransmissores (CANDAU, 2005), tangíveis ou intangíves, foram compartilhados como recursos mnemônicos que lembravam os membros acerca da própria identidade.

Através de um viés histórico-antropológico, busca-se compreender como se conformavam: a memória e identidade (CANDAU, 2005; 2011) na relação com estilos musicais ligados ao rock (RIBEIRO, 2007; TURINO, 2008); a rede de cooperação coletiva (BECKER, 1974) que compôs este mundo musical (FINNEGAN, 1989); os festivais como lugares de memória (NORA, 1993; CANDAU, 2005; FLÉCHET, 2011; POLLAK, 1989); bem como discussões em torno das relações entre memória coletiva e o espaço (HALBWACHS, 1990) urbano (MAGNANI, 2002).

A análise dos elementos iconográficos apresenta-se como imprescindível para analisar os mecanismos de produção, reprodução e transformação utilizados por este grupo, posto que um dos principais produtos desta comunidade rock foram os cartazes e flyers confeccionados para divulgação dos festivais. Além da obvia função informativa (local, horário, bandas, identidade musical dos festivais, etc), entende-se que estes cartazes também apresentavam índices icônicos que representam uma simbologia convencionada culturalmente (PENN, 2002, p.322-323) em torno de ideologias relacionadas a sistemas de significação (PENN, 2002, p.324) em torno do rock (Metal, Progressivo, etc). Dessa forma, pretende-se analisar os níveis denotativo e conotativo em uma pequena amostra dos cartazes levantados junto a colaboradores.

Assim, o trabalho pretende colaborar, com este estudo de caso, para as reflexões sobre as articulações entre música, imagem, lugares de memória e formação de identidade.

 


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