Portal de Eventos Científicos do PPGMUS-UFBA, 3º CONGRESSO BRASILEIRO DE ICONOGRAFIA MUSICAL

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A melodia de Orfeu: Arte, harmonia e religiosidade nas pinturas da igreja dos jesuítas em Salvador, Bahia

Belinda Maria De Almeida Neves

Última alteração: 2015-06-22

Resumo


A presente pesquisa aborda a iconografia e iconologia do mito de Orfeu, presente nas pinturas do teto da sacristia da antiga igreja do Colégio da Companhia de Jesus em Salvador. A referida pintura apresenta 21 painéis de jesuítas mártires e confessores da fé católica, tendo como motivo central o painel de S. Ignácio de Loyola, fundador da Ordem. No centro do programa, que forma uma cruz grega, estão presentes quatro Orfeus com alaúdes e violinos, atributos da música e da poesia, e igualmente quatro gêneros teatrais (comédia, tragédia, drama e tragicomédia). No painel central de S. Ignácio de Loyola identificamos a ópera, gênero dramático que igualmente contempla o teatro e a música. Nos dois extremos do teto, a possível presença de dois tensores de corda musical permite-nos a visualização do monocórdio quando interligados por uma linha imaginária. O monocórdio possibilitou o diálogo entre a matemática e a música através de Pitágoras, que com esse instrumento definiu os intervalos musicais. A relação entre a ciência e as artes no discurso artístico do templo estreita-se quando esses elementos dialogam igualmente com os sete planetas e seus respectivos metais de referência (Marte/ferro, Vênus/cobre, Saturno/chumbo, Júpiter/Estanho, Mercúrio/mercúrio, Lua/prata, Sol/ouro), e sugere a transformação filosófica do ser humano através das artes. Tema recorrente no pensamento do século XVII, a música e as artes estabelecem a relação direta na consonância entre o Universo (macrocosmo) e o Homem (microcosmo), assim como os princípios da Criação divina, resultando na harmonia entre todas as coisas. Igualmente relevante para os missionários da Companhia de Jesus, a música e o teatro constituíram um significativo elemento de conversão do gentio, e igualmente estabelecemos as possíveis relações entre o mito de Orfeu, a religiosidade e as missões jesuíticas.

 


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