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Silvestro Ganassi e o conceito de Ut Pictura Musica na primeira metade do século XVI

Giulia da Rocha Tettamanti

Última alteração: 2015-10-31

Resumo


Retomada da retórica antiga, a comparação, conhecida no renascimento como paragone, tornou-se no século XVI um exercício muito praticado entre os artífices e literatos. No campo das artes, constituiu uma importante ferramenta de valorização sócio-cultural e inclusão dentro do rol das disciplinas liberais. A mais importante dessas comparações, conhecida como Ut pictura poesis, apareceu pela primeira vez na Ars Poetica de Horácio e tinha como objetivo analisar qual arte era mais adequada para a imitação da natureza: a pintura ou a poesia, isto é, uma comparação direta entre as artes da visão e da audição. Como variação desta, o conceito de Ut pictura musica surge nos escritos de Leonardo da Vinci e em autores teóricos venezianos como Paolo Pino e Ludovico Dolce. Sabe-se também que muitos pintores venezianos desta época como Sebastiano dal Piombo, Bronzino e Pordonone foram considerados e descritos por Vasari como pintores que também foram bons músicos. Por outro lado, Silvestro Ganassi dal Fondaco (1492-c.1550), músico da Ilustríssima Senhoria de Veneza, conhecido por seus fundamentais métodos de flauta doce e viola da gamba,  declara-se estudioso da pintura no frontispício da Lettione Seconda (1543), sendo posteriormente citado como auctoritas pelos tratadistas venezianos acima citados. A relação de Ganassi com a pintura é incerta, mas é provável que o autor tenha imprimido por conta própria todas as suas obras, como indica o cólofon das mesmas, o que nos leva a crer que todas as xilogravuras ali contidas também sejam de sua autoria. Esta comunicação tem como objetivo mostrar brevemente a obra do autor e sua conexão com as duas artes, elucidando a sua importância para a construção dos conceitos acima mencionados no ambiente veneziano do século XVI.


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