Portal de Eventos Científicos do PPGMUS-UFBA, 3º CONGRESSO BRASILEIRO DE ICONOGRAFIA MUSICAL

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O maracá na sociedade Tupinambá: representações iconográficas e textuais quinhentistas

Eduardo Sola Chagas Lima

Última alteração: 2015-06-22

Resumo


Este estudo baseia-se em fontes primárias do século XVI que descrevem as impressões em primeira mão da terra e do povo do Brasil por três viajantes europeus: Hans Staden (1557), Jean de Léry (1557) e André Thevet (1578). A iconografia e texto nesses documentos precedem as mudanças drásticas causadas pelo crescimento e pela expansão da atividade Jesuítica por volta do início do século XVII e, portanto, contemplam um Brasil ainda pré-colonial e mais próximo de seu estado pristino. Mais especificamente, esses relatos de viagem retratam detalhadamente o cotidiano, as atividades, os rituais e as práticas antropofágicas dos notórios índios Tupinambá (então localizados no atual estado do Rio de Janeiro). Ao discutir o sistema religioso e social dos Tupinambá, este estudo explora o papel e a importância da música e do chocalho maracá para este grupo, tal qual descritos e ilustrados nessas fontes. Embora esses relatos de viagem difiram consideravelmente em ênfase, estilo, abordagem e contexto empírico, eles frequentemente intersectam-se e complementam um ao outro. Ao analisar a interação literária entre essas descrições textuais e a rica iconografia que as acompanha, este estudo busca reconstruir a utilização do maracá entre os Tupinambá e seu complexo sistema social, visando, assim, elucidar sua finalidade na época como instrumento musical e símbolo religioso. Finalmente, este trabalho também discute questões concernentes à própria representação iconográfica renascentista, como o realismo estilístico e a verossimilhança no retrato da anatomia e gestual humanos, considerando então a precisão na representação do maracá e suas implicações socioculturais. Da mesma forma, essa investigação aborda aspectos mais objetivos da iconografia e textualidade quinhentistas, como a dicotomia entre autenticidade e livre paráfrase. O estudo conclui sugerindo uma provável consulta entre autores e uma tentativa mútua de representar a música brasileira desse período de maneira única e distintiva para um público diverso de leitores europeus.


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