Portal de Eventos Científicos em Música, 8º CONGRESSO BRASILEIRO DE ICONOGRAFIA MUSICAL

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A recepção de liras e cítaras na iconografia urbana de Pelotas
Caroline Melo Armesto

Última alteração: 2025-05-25

Resumo


Ao percorrer as ruas do centro histórico de Pelotas, no sul do Brasil, chama a atenção a recorrência de referências à imagética greco-romana incorporadas a fachadas arquitetônicas, fontes, monumentos escultóricos e conjuntos estatuários. Mais do que simples componentes decorativos, essas representações evocam significados simbólicos que suscitam questionamentos sobre as razões de sua incorporação em um contexto geográfico e culturalmente distante de suas origens. Este trabalho, recorte temático da dissertação de mestrado em andamento, propõe-se a investigar essa presença a partir da análise de quatro marcos arquitetônicos da cidade: as fachadas do Theatro Sete de Abril, do Clube Caixeiral, do Theatro Guarany e do Lyceu Rio-Grandense, que, embora distintas entre si, apresentam em suas ornamentações instrumentos musicais associados ao Mundo Antigo, notadamente liras e cítaras. Busca-se, assim, compreender não apenas os processos de apropriação estética desses elementos, mas também os sentidos que lhes foram atribuídos no contexto de recepção. O que representa, afinal, a iconografia desses instrumentos antigos no espaço urbano de uma cidade brasileira em processo de formação? Estariam essas imagens limitadas ao apreço pelo clássico ou fariam parte de estratégias de distinção cultural? Parte-se do pressuposto de que a recepção da Antiguidade não se restringe à cópia de modelos clássicos, mas envolve um processo ativo de ressignificação e adaptação às dinâmicas socioculturais locais. Assim, pretende-se evidenciar como essas representações iconográficas de liras e cítaras revelam formas específicas de apropriação do passado, ressoando nas construções de memória e identidade da cidade.


Palavras-chave


Recepção da Antiguidade; Liras e Cítaras; Identidade Cultural.

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