Portal de Eventos Científicos em Música, 8º CONGRESSO BRASILEIRO DE ICONOGRAFIA MUSICAL

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Iconosemiografia em trânsito: imagens musicais e epistemes culturais na (des)construção da subjetividade brasileira
Cleisson Melo

Última alteração: 2025-05-28

Resumo


Este trabalho propõe uma reflexão teórico-analítica sobre a iconografia musical a partir do conceito de iconosemiografia, compreendido como dispositivo semiótico que articula som, imagem e cultura na construção dinâmica de subjetividades. Inserida no diálogo interdisciplinar entre música, artes visuais, história cultural e semiótica, a iconosemiografia permite entender imagens musicais não somente como representações visuais do universo sonoro, mas como territórios simbólicos onde afetos, sentimentos, identidades e narrativas culturais são constantemente negociados e reconstruídos.

Alicerçado na semiótica existencial de Eero Tarasti e no conceito de semiosfera (Semiótica da Cultura) de Yuri Lotman, o estudo utiliza a noção de “imagens em fluxo”, que se refere às representações visuais como signos culturais dinâmicos, transpassados por processos históricos e sociais de circulação simbólica, transculturação e reinterpretação. Tais imagens, ao se inserirem em processos de deslocamento e instabilidade simbólica, manifestam o que Eero Tarasti conceitua como semiocrise — um momento de ruptura de suas isotopias e de reconfiguração dos sentidos culturais; tensões interpretativas entre diferentes sentidos e regimes de pertencimento.

Neste cenário, a obra Saudade (1899), de Almeida Júnior, é retomada sob nova perspectiva, não apenas como representação da dor, do vazio ou da ausência, mas como imagem que transita entre diferentes regimes de sensibilidade, evocando uma poética do tempo, do silêncio, da espera e da memória afetiva. A saudade, nesse contexto, emerge como categoria cultural estruturante, atravessando a experiência estética da imagem musical como signo de identidade, deslocamento e elaboração simbólica do pertencimento.

A proposta é demonstrar como o confronto entre diferentes linguagens artísticas pode iluminar camadas profundas de memória, temporalidade e pertencimento na cultura brasileira, contribuindo assim para a compreensão crítica da iconografia musical como campo ativo e produtivo na formação das subjetividades e do imaginário cultural. Trata-se de um convite a pensar a iconografia musical como espaço ativo de produção de sentido em meio aos trânsitos e transformações da cultura, neste caso, brasileira.

LOTMAN, Yuri. La semiosfera Isemiótica de la culturay del texto. Tradução de Desiderio Navarro. Valência: Frónesis Cátedra, 1996.

TARASTI, Eero. Sein und Schein: Explorations in Existential Semiotics. Berlin/Boston Germany: De Gruyter Mouton, 2015.


Palavras-chave


iconosemiografia; iconografia musical; semiótica existencial;