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Sobre o discurso não verbal de MINAS: uma análise discursiva da capa do álbum de 1975, de Milton Nascimento

Luciano Cintra Silveira

Última alteração: 2015-10-31

Resumo


A partir de um referencial teórico do campo da Análise do Discurso – Souza(1997), Souza(1998), Souza(2013), Pecheux(1988), Foucault(2012) e Orlandi(2001) -, este artigo pretende  analisar a capa do álbum Minas(1975), de Milton Nascimento. A análise parte de um entendimento da imagem como um texto não verbal, carregado de significados historicamente determinados, que podem ser traduzidos em diversos enunciados (comentários) que não se esgotam nem se complementam, apenas identificam o lugar social daquele que o produz. A partir desse lugar é que se constrói uma filiação às redes de sentido, à medida que se configura a interdiscursividade – noção que aponta para o já-dito, algo que, historicamente, já tem sentido prévio e determinado.

Cabe nesse ponto relembrar Foucault (2012), quando aponta a dicotomia razão/loucura como um dos procedimentos de exclusão do discurso. É a partir daí que surge, historicamente, a figura do louco, como sendo aquele que diz o que não pode ser dito, diz verdades de forma simples e diretas e portanto seu discurso não pode circular. Recai na margem como ruído ou se refugia na palavra simbólica, cuja decifração se faz necessária.

O processo de decifração aponta, em nosso caso, para dois caminhos: primeiramente a decifração estética – que por hora não nos interessa – e a decifração do discurso (mágico).

O discurso mágico, o que carrega diversos poderes e que ritualiza, estabelece com o interlocutor um código que, além de ser elemento de decifração, é também um direcionador do sentido. Os olhos de Milton Nascimento em MINAS, portanto, sugerem esse código e orientam o sentido: o ouvinte já sabe como ouvir a música e já sabe o que esperar da música. Uma música que silencia e conduz a produção de sentido por um processo de paráfrase discursiva, como procuraremos discutir nesse artigo.


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