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Joanna Funileira: Representações em torno da segunda ópera de Carlos Gomes

Lenita Waldige Mendes Nogueira

Última alteração: 2018-07-29

Resumo


Joanna de Flandres de Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896) estreou no Teatro Lyrico no Rio de Janeiro no dia 15 de setembro de 1863. Era sua segunda ópera, dois anos antes havia apresentado no mesmo local A Noite do Castelo com excelente repercussão, o que o credenciou para apresentar sua segunda ópera Joanna de Flandres. Entretanto, até chegar à cena este trabalho teve uma trajetória bem mais complicada, envolvendo questões de várias ordens, que extrapolaram para a imprensa carioca de forma por vezes virulenta. Representativa deste conflito é a imagem chamada "Joanna Funileira" publicada na revista carioca Semana Ilustrada em outubro de 1863 pouco antes da estreia da ópera. A imagem é irônica e apresenta a personagem principal da ópera de Gomes, a condessa de Flandres, ornada com objetos de folha de flandres, liga metálica utilizada na fabricação de vários objetos, tais como latas e utensílios. A mulher está na "rua dos Latoeiros" com uma coroa de funil, nas mãos um regador e outros objetos de folha de flandres; ao fundo Carlos Gomes, o libretista Salvador de Mendonça e uma figura que se acredita ser D. Pedro II. Neste trabalho pretende-se explorar o sentido e a representação desta imagem iconográfica, apresentando o contexto em que ela foi produzida, bem como diversos aspectos que envolveram a produção da ópera, que deram motivos para a publicação desta imagem. O manuscrito autógrafo de Joanna de Flandres está preservado no Rio de Janeiro, sendo que o primeiro ato está no Museu Histórico Nacional e os demais (2º, 3º e 4º) estão na Biblioteca Arthur Nepomuceno da Escola de Música da UFRJ. Este é um documento da maior importância, pois explicita o processo pelo qual passou a ópera desde a produção da partitura até a montagem, já que há inúmeras retificações, anotações e, principalmente, cortes em trechos por vezes extensos da ópera. A representação da ópera envolveu, entre outros eventos, disputas entre compositor, regentes, cantores, empresários que não honravam seus compromissos, resultando em atrasos na data da estreia, mudança súbitas de solistas e regentes, além de uma intensa troca de farpas na imprensa carioca. A representação desta ópera, cujo libreto é em português, estava ligada ao movimento denominado Imperial Academia de Música e Ópera Nacional, iniciado em 1857 por Dom José Amat e que naquela altura, 1863, estava praticamente extinto, substituído pela Ópera Italiana e Nacional, com ênfase na primeira, que rendia bem mais aos empresários. Após Joanna de Flandres haveria apenas mais uma ópera dentro deste ideário de criação de uma ópera nacional, O Vagabundo de Henrique Alves de Mesquita representada em 1864 com pouca repercussão.

 

Referências:

ANDRADE, Ayres. Francisco Manuel e seu tempo.  Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967. 2 vol.

AZEVEDO. Luiz Heitor Correa de. As primeiras óperas. In Revista Brasileira de Música. Rio de Janeiro, 1936. Edição comemorativa ao centenário de Nascimento de Carlos Gomes. p. 201-245.

NOGUEIRA, Lenita W. M. Joanna de Flandres: obra de transição. In Anais do I Simpósio Internacional de Musicologia da UFRJ. Rio de Janeiro, 2010

 

Periódicos:

A Semana Illustrada. Rio de Janeiro, 1863

Diário do Rio de Janeiro, 1861-1863

Jornal do Commercio, 1863

 

 


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