Portal de Eventos Científicos em Música, 6º Congresso Brasileiro de Iconografia Musical

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Luiz Gonzaga: Figuras do cotidiano imagético musical do compositor em capas de disco. Uma iconografia musical do afeto.
Elizabeth Maria Carneiro

Última alteração: 2021-04-29

Resumo


O presente artigo tem como objetivo propor ao leitor um passeio pelo imaginário musical das capas de disco de vinil do compositor, interprete e musico pernambucano, natural da cidade de Exu:  Luiz Gonzaga. A documentação aqui selecionada são  capas de LPs (33 rpm)  do referido artista,  considerando seu conteúdo imagético musical  que tem como matéria orgânica o húmus que nutre a relação afetiva entre o homem  e a sua  terra natal (com sua rica paisagem humana e cultural).
As capas de discos fazem parte da coleção de Lps que constituem o rico e diversificado acervo da Fonoteca da Fundação Joaquim Nabuco.
A  iconografia musical se revela como uma área complexa e interrelacional, abrangendo uma rica diversidade temática: praticas culturais tanto urbanas, quanto rurais, do passado e do presente, documentadas em fontes visuais de valor cientifico, patrimonial (Sotuyo, 2019) e principalmente afetivo, o qual  enfatizamos neste artigo.  Apresentando-se como uma área cientifica arborescente (Bachelard), a Iconografia Musical abraça diversas áreas do conhecimento, e nesse abraço caloroso propõe-se neste artigo  uma descrição que vai além do valor histórico, patrimonial, imagético, musical , mas, sobretudo, afetivo. Música e imagens revolvem memórias coletivas e afetos no que se refere àrelação entre o homem, seu tempo, sua terra natal e figuras que constituem a rica paisagem cotidiana e cultural de sua época.A obra do compositor e interprete  é fausta, bem como de uma representatividade musical e pictórica impressionantes.  O  design gráfico das capas de discos de Luiz Gonzaga mostram  personagens do cotidiano do sertão nordestino, em particular, de Pernambuco: sua historia, seu povo, sua musica, seus instrumentos (sanfona, pífanos, viola )  , sua dança, sua vestimenta, sua vegetação, etc.Com base nos trabalhos rotineiros da Fonoteca da Fundação Joaquim Nabuco, e, posteriormente, conhecendo a área da Iconografia Musical pelo acesso  à rica produção de  trabalhos do CESEM (Centro de Estudos de Éstética Musical), e particularmente,  através da ADOHM/SIBI/UFBA (Acervo de Documentação de Historia Musical), iniciamos os primeiros passos na referida área de estudo que se tornaram um longo e maravilhoso passeio  pela produção imagética e musical em capas de discos;  documentos de uma riqueza imensurável , no que tange a iconografia (grafia da imagem) e a fonografia (a grafia do som).
O fácil acesso aos  estudos de Iconologia Musical de Pablo Sotuyo (2019) e colaboradores; aos trabalhos mais específicos sobre design gráfico em capas de discos dos autores Victor Resende (2015) Pablo Garcia , Beatriz Castro (2011) e outros autores, contribui para o desenvolvimento da temática.

A partir dos pressupostos teóricos e metodológicos apresentados pela Sociologia do Cotidiano, aliada aos estudos do Imaginário de Gilbert Duran e a poética da imagem  resgatada por Bachelard e Certeau, buscamos  mais que uma descrição e análise técnica da arte das capas de discos, mas, sobretudo, uma  apropriação iconográfica e iconofílica desses documentos destacados no referido trabalho.

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